“Um comportamento típico de coronel”, diz Celso Nascimento, jornalista da Gazeta do Povo, que ontem (10) foi atacado pelo deputado estadual Ademar Traiano (PSDB). O político usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná para desqualificar o colunista político da Gazeta do Povo. Celso Nascimento trabalha no hoje grupo GRPCOM há 38 anos, é formado pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), além de ter trabalhado oito anos no serviço público como assessor de imprensa.
O pronunciamento de Traiano bate na tecla de que o jornalista Nascimento usa do “seu ressentimento” em relação ao governo, para criticá-lo. Além de desqualificá-lo como profissional, o que foi percebido quando o político usou do argumento de que o jornalista “não cumpria religiosamente com o horário determinado” – declaração feita em pronunciamento na AL e que é relativa ao período em que o articulista político foi anistiado e voltou a quadro de serviço público.
O HISTÓRICO fornecido pelo jornalista sobre o que foi suposto por Traiano contraria os argumentos do político. “Ele quer me desqualificar no sentido de que eu sou movido por vingança”, explica Nascimento, sobre seu trabalho como colunista político no maior periódico do estado.
Em janeiro do ano passado, o jornalista se reapresentou na secretaria de comunicação social do estado, com a decisão de se licenciar do cargo que havia sido reconduzido após ato de anistia a perseguidos políticos (a perseguição foi caracterizada na década de oitenta, no governo José Richa, pai do atual governador Beto Richa).
Na ocasião, em 2011, Nascimento fez requerimento de licença sem remuneração por dois anos, que foi garantido pela secretaria de comunicação social e também está previsto no estatuto do servidor público. Quatro meses depois, em comunicado, o jornalista ficou sabendo que seu requerimento foi indeferido.
Salários foram depositados na conta do trabalhador de forma irregular, pois o profissional não havia comparecido ao trabalho. “Devolvi todos os valores com juros e correção monetária ao estado. Recorri à justiça para garantir o indubitável direito à licença, em processo que ainda tramita na Justiça sem decisão de mérito”, argumenta Nascimento.
Mesmo com as informações esclarecidas, o jornalista foi demitido pelo governo sem decisão da justiça sobre sua licença. “Uma claríssima repetição de semelhante perseguição política de que fui vítima 26 anos antes. Agora qualquer jornalista que se aventure a fazer uma crítica ao governo é atacado pessoalmente. Uma atitude tipicamente fascista”, completa Nascimento.
A diretoria do Sindijor-PR vê claramente que a atitude do deputado estadual Ademar Traiano tem caráter de cerceamento e intimidação. O Sindicato entende que as acusações são inaceitáveis, representam uma tentativa de intimidação e restrição ao direito de imprensa, que é também zelar pelo interesse público.
Por Regis Luís Cardoso (foto: web)


