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10/11/2014

GRPCOM intensifica demissões e aumenta insegurança entre jornalistas

GRPCOM intensifica demissões e  aumenta insegurança entre jornalistas
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No espaço de três anos, demissões têm ocorrido em várias das empresas de comunicação no Brasil, em um setor cada vez mais concentrado. Em comum entre a ação dessas empresas está a falta de respeito com os jornalistas e com a própria sociedade, já que muitas são concessionárias de serviços públicos (emissoras de rádio e TV) e tem a obrigação de dar transparência em seus atos.


No Paraná, a situação é mais grave que em muitos estados. Entre 2011 e 2013, o “Demissômetro”, instrumento de denúncia criado pelo Sindijor-PR, mostrou que dez empresas no estado demitiram 156 profissionais em dois anos. Ao todo, foram 287 demissões no período em todas as empresas no Paraná, em rádio, TV e jornal. O grupo recordista desta prática continua sendo o GRPCOM, que agora no mês de novembro demitiu mais cinco profissionais.


Na nova leva de cortes, foram dispensados três jornalistas de sucursais da Gazeta do Povo no interior do estado, além de um fotógrafo em Curitiba. Um repórter da redação na capital solicitou desligamento e não há confirmação de que sua vaga será preenchida.


Segundo informado por William Zampini, diretor de recursos humanos do jornal, os cortes fazem parte da política de contenção de gastos diante do crescimento do déficit no último período. O fechamento das sucursais é irreversível, no momento, segundo ele, e não há previsão para recontratação de profissionais. Além de jornalistas, a empresa também está fechando postos de trabalho em atividades-meio.


Essa prática foi recorrente ao longo de 2014. Em agosto, 23 profissionais haviam sido demitidos pelo jornal Gazeta do Povo. Seja no formato das demissões massivas ou mesmo a conta-gotas, o saldo final é uma redução drástica de profissionais. Entre 2011 e 2014, o grupo demitiu 78 profissionais, sendo 43 da Gazeta do Povo, 25 da RPC-TV e 10 da Tribuna do Paraná.


O GRPCOM é um dos grupos mais sólidos financeiramente do país, segundo informações divulgadas no portal da empresa na internet. Matéria publicada no site sobre a premiação das 500 maiores empresas da Região Sul, promovida pela Revista Amanhã em parceria com a PwC, diz que “a RPC TV está na 266ª posição, ocupando a categoria: empresa de comunicação mais rentável da região Sul do país”, dado que coloca em xeque qualquer justificativa para as demissões.


Embora no início de 2014 o Sindijor tenha apontado a intenção clara da empresa de demitir por etapas para descaracterizar demissão coletiva, a realidade é que o GRPCOM apenas aprofundou essa prática que atenta contra a Convenção Coletiva de Trabalho.


Sabemos a consequência disso para os profissionais de jornalismo que permanecem nas redações. Não são raros os relatos de colegas que se sentem acuados diante da possibilidade de ser demitido – a sensação é de que “a próxima vítima pode ser eu”, o que deixa os jornalistas em situação de ameaça constante. Os postos de trabalho são muitas vezes remendados com contratos temporários e precários, que submetem todos à instabilidade, com o agravamento da rotatividade nas redações.


A atitude do GRPCOM demonstra uma séria desvalorização dos jornalistas por parte de um grupo que, paradoxalmente, prega valores tais como a ética e a democracia. A cada rodada de novas rescisões de contratos fica evidente que o grupo privilegia os setores burocráticos, gerenciais e de controle dos funcionários, em detrimento dos postos de trabalho dos jornalistas.


Com as demissões, os profissionais que permanecem nas redações são submetidos à sobrecarga de trabalho, ao jornalismo multimídia, resultado da incorporação de tecnologia que a empresa usa a seu favor para reduzir o quadro de profissionais. Com isso, poucos profissionais passam a produzir para vários veículos e para diferentes mídias.


Acreditamos que, ao reduzir seu quadro de profissionais de jornalismo, usando método que fere a ética, o grupo GRPCOM não atenta somente contra as convenções trabalhistas e corporativas. A gravidade é maior. Na realidade, a empresa está atentando contra a própria sociedade e contra a democracia que diz defender.


Ao não esclarecer publicamente as demissões, o GRPCOM sonega informação à sociedade e tenta encobrir erros de gestão dos dirigentes.


Qual é a justificativa para tantas demissões? Por que a prioridade em dispensar jornalistas, com prejuízo irreversível ao que deveria ser a principal preocupação da empresa, que é o jornalismo?


Essas são questões para as quais, mais do que o Sindijor, a sociedade exige resposta.

Autor:Regis Luís Cardoso / com informações: Diretoria SindijorPR Fonte:Diretoria SindijorPR